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Literatura do Interior: Calila das Mercês lança ‘Nódoa’ e defende a descentralização do saber

Brasil e Mundo

A força da escrita que nasce no interior

“Minhas primeiras escolas são os quintais: o sertão e o recôncavo baiano”. É assim que a escritora e jornalista Calila das Mercês define a raiz de sua literatura. Como curadora da quarta edição do Festival Literário de Paracatu (Fliparacatu), em Minas Gerais, ela reafirma a importância de valorizar as vozes que ecoam fora dos grandes eixos metropolitanos do Brasil.

Um diálogo entre gigantes e territórios

Nesta edição, o festival abraça o tema “Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo”, promovendo um encontro instigante entre o pensamento de Milton Santos e a obra de Guimarães Rosa. Calila destaca que o evento busca, acima de tudo, pensar o território sem a rigidez acadêmica, celebrando identidades locais que produzem cultura de forma autêntica e vibrante.

‘Nódoa’: um romance feito em movimento

Recém-lançado pela Companhia das Letras, o primeiro romance de Calila, “Nódoa”, reflete a própria trajetória da autora. Escrito em rodoviárias, ônibus e durante constantes mudanças, o livro é um convite sensorial. A obra explora a materialidade da escrita, utilizando silêncios, formas gráficas e alternância entre maiúsculas e minúsculas para dar voz às diversas mulheres que habitam a trama, cada uma com seu gesto, sua oralidade e sua história única.

Resistência cultural

Para a escritora, o desafio das feiras literárias no interior é evitar que elas sejam apenas “palanques” externos. Ela defende que eventos como a Fliparacatu devem ser espaços de integração onde o sotaque e o pensamento local sejam protagonistas, provando que o conhecimento genuíno brota de todos os cantos do país.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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