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Inteligência Artificial nas salas de aula exige olhar crítico além do acesso digital

Brasil e Mundo

A rápida ascensão da Inteligência Artificial (IA) no ambiente escolar trouxe um novo desafio para o Brasil: a necessidade de ir além da simples inclusão digital. Segundo Daniela Costa, consultora da Unesco e coordenadora da pesquisa TIC Educação, o foco atual deve estar em uma inclusão significativa, onde estudantes e professores saibam não apenas como usar a tecnologia, mas compreendam seus riscos, objetivos e impactos reais na aprendizagem.

Tecnologia: aliada ou distração?

Durante o 4º Encontro de Educadores do Século XXI, Daniela apresentou um panorama ambivalente. Se por um lado experiências na China demonstram que recursos digitais de alta qualidade podem reduzir desigualdades e melhorar significativamente o desempenho escolar, por outro, a presença do celular em sala de aula continua sendo um grande vilão da concentração. Estudos indicam uma correlação negativa entre o uso excessivo de aparelhos e a retenção de conteúdo, reforçando a importância de políticas de restrição ao celular, como as já adotadas por muitas escolas brasileiras.

A nova forma de pesquisar

O comportamento dos alunos do ensino médio mudou radicalmente. Hoje, a pesquisa escolar é dominada por plataformas de vídeo, como YouTube e TikTok, utilizadas por 89% dos estudantes. Essa migração da linguagem verbal para a visual traz um alerta: apenas um terço dos alunos afirma ter recebido orientação sobre os erros e vieses comuns das ferramentas de Inteligência Artificial.

O desafio da formação docente

Apesar de os professores serem a principal referência dos alunos para o uso das tecnologias, o cenário de qualificação é preocupante. Dados do Cetic.br mostram uma queda na participação de docentes em formações continuadas sobre o tema, passando de 65% em 2021 para 54% em 2024. Para Daniela Costa, é fundamental que a sociedade e o poder público priorizem o apoio ao educador, pois o desenvolvimento integral do estudante no século XXI depende diretamente de uma mediação humana qualificada e atenta às transformações digitais.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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