Igreja Presbiteriana veta participação de fiéis em movimento “Legendários”
Durante o 41º Supremo Concílio, realizado em Manaus, a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) tomou uma decisão contundente sobre o movimento “Legendários”. Em resolução aprovada pela assembleia geral, a denominação recomendou que pastores, presbíteros, diáconos e demais membros não participem ou apoiem o grupo, classificando suas práticas como incompatíveis com a doutrina reformada e a tradição presbiteriana.
Divergência teológica e metodológica
A posição oficial da IPB foi motivada por uma consulta de fiéis do Tocantins, preocupados com o avanço do movimento em suas comunidades. Segundo a comissão teológica da igreja, o “Legendários” utiliza metodologias “pragmáticas e neopentecostais” que estariam em desacordo com as Escrituras Sagradas. O parecer critica severamente o uso de isolamento na natureza, privação física e testes de resistência emocional como ferramentas de formação espiritual, alegando que tais dinâmicas afastam o fiel da centralidade da Bíblia e da vida comunitária.
Críticas à “mercantilização da fé”
Além das questões doutrinárias, a Igreja Presbiteriana apontou preocupações com a estrutura do movimento. O documento cita o uso de juramentos, uniformes e técnicas de marketing, descrevendo a vivência proposta pelo grupo como uma “experiência de consumo”. A liderança da igreja alerta que essas características tendem a criar divisões internas nas congregações locais, substituindo o discipulado tradicional por um modelo que prioriza o impacto psicológico e o sigilo.
O que é o movimento “Legendários”?
Fundado na Guatemala em 2015 e atuante no Brasil desde 2017, o “Legendários” é um grupo voltado exclusivamente ao público masculino. Com foco em empresários, políticos e atletas, o movimento promove retiros de 72 horas em locais isolados, com custos que giram em torno de R$ 1,5 mil por participante. A proposta central é a “restauração do potencial masculino” através de imersões que exigem resistência física extrema.
Posicionamento do grupo
Em nota oficial, o movimento “Legendários” reagiu à decisão do Supremo Concílio. A organização declarou receber a notícia com serenidade e afirmou que a deliberação da IPB trata-se de uma recomendação, não de uma proibição absoluta. Segundo o grupo, a resolução permite que cada igreja local avalie, de forma autônoma, a participação de seus membros. O “Legendários” reforçou ainda que mantém seu compromisso com o fortalecimento de lideranças e famílias, alegando estar presente em 24 países com mais de 220 mil participantes.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.
Foto da capa: Reprodução / G1 Amazonas

