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Escândalo no CRAS: Servidor é denunciado por cobrar R$ 180 para ‘facilitar’ acesso ao Bolsa Família em Manaus

Amazonas

Denúncia grave no coração da assistência social

Uma grave denúncia de corrupção abala a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc). O servidor público municipal José Nascimento dos Santos, lotado no órgão há mais de 20 anos, foi alvo de uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) por suspeita de cobrar valores indevidos de famílias de baixa renda para manipular o Cadastro Único (CadÚnico) e garantir o acesso ao Bolsa Família.

“R$ 180, é só um filho”: O esquema revelado

A denúncia, que inclui gravações telefônicas, expõe um esquema onde o servidor estipulava preços conforme a composição familiar. Em um dos áudios, José Nascimento é flagrado cobrando R$ 180 para realizar o cadastro de uma mulher que possuía apenas um filho. O funcionário chega a detalhar como ele e um colega adulterariam as informações de renda — sugerindo que fossem declarados valores entre R$ 110 e R$ 120 — para garantir que o benefício fosse aprovado pelo sistema do governo.

Abordagens dentro do CRAS

Além da prova documental, relatos apontam que a prática ocorria dentro das unidades de atendimento. Uma cidadã, que procurou o CRAS no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste de Manaus, afirmou ter sido abordada pelo servidor enquanto buscava atendimento oficial. Segundo o relato, José Nascimento se apresentou como um “facilitador”, oferecendo agilizar o processo mediante pagamento particular e mantendo conversas via WhatsApp para orientar a fraude.

Impunidade e próximos passos

Apesar de o Portal da Transparência confirmar o vínculo de mais de duas décadas do servidor com a Semasc, ele negou trabalhar no CRAS ao ser questionado. A denúncia aponta que a atuação do servidor compromete a integridade do Cadastro Único e fere o princípio da gratuidade dos serviços públicos, prejudicando famílias que realmente necessitam do auxílio. Até o momento, a Prefeitura de Manaus e os órgãos ministeriais não se manifestaram sobre as medidas punitivas que serão tomadas contra o servidor.


Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução.

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