Defesa recorre de condenações na Operação Mandrágora
A batalha jurídica no caso da Operação Mandrágora ganhou um novo capítulo. A defesa de Cleusimar Cardoso, Ademar Cardoso e Verônica Seixas anunciou que vai recorrer da sentença que condenou o grupo por envolvimento em um esquema de tráfico de cetamina em Manaus. Os advogados alegam que houve falhas graves na análise das provas e apontam erros técnicos durante a investigação conduzida pela polícia.
Supostas falhas na cadeia de custódia
O argumento central dos advogados para tentar reverter a decisão da Justiça do Amazonas é a fragilidade das provas coletadas. Segundo a defesa, o parecer técnico contratado pelos réus indica irregularidades na cadeia de custódia de aparelhos eletrônicos, exames toxicológicos e medicamentos apreendidos. Os defensores sustentam que faltaram registros cruciais sobre a lacração, o armazenamento e a identificação dos responsáveis pelos materiais, o que, na visão deles, comprometeria a validade de todo o processo.
O esquema da seita e do salão de beleza
A sentença da juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante, da 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), detalhou como o grupo operava. Utilizando a rede de salões de beleza Belle Femme e a seita “Pai, Mãe, Vida”, os condenados distribuíam e aplicavam cetamina, um anestésico veterinário usado de forma perigosa em humanos sob o pretexto de “cura espiritual” e “elevação”. Testemunhos impactantes revelaram que a droga era usada em rituais que, segundo relatos, envolviam cárcere privado e abusos.
Penas e regime de cumprimento
Sete pessoas foram condenadas pela Justiça. Cleusimar e Ademar, mãe e irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, receberam penas de 10 anos e 11 meses de reclusão em regime fechado, sendo apontados como líderes e articuladores do grupo. O veterinário José Máximo, o personal trainer Hatus Moraes, a gerente Verônica Seixas e o ex-namorado de Djidja, Bruno Roberto, também receberam penas severas em regime fechado. Sávio Soares cumprirá pena em regime semiaberto. Três réus, entre eles funcionários do salão, foram absolvidos por falta de provas.
A morte de Djidja Cardoso
O caso ganhou repercussão nacional após a morte de Djidja, ocorrida em 28 de maio. A polícia encontrou o corpo com sinais de overdose e descobriu frascos de cetamina enterrados no quintal da residência da família, além de diversos materiais médicos espalhados pelo local. Embora o laudo do Instituto Médico Legal tenha apontado edema cerebral como causa da morte, a linha de investigação principal da polícia amazonense sustenta que o óbito foi provocado pela administração da substância veterinária.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.
Foto da capa: Reprodução / G1 Amazonas

