Desafio crescente contra a natureza
A frequência alarmante de eventos climáticos extremos, como os vendavais que paralisaram o Rio de Janeiro recentemente, colocou as concessionárias de energia do Brasil sob pressão. Ventos fortes, chuvas torrenciais e enchentes tornaram-se inimigos da rede elétrica, causando quedas constantes de postes, danos a fios e o risco iminente de incêndios, deixando milhares de pessoas sem luz por períodos prolongados.
Investimentos em tecnologia e modernização
Diante desse novo cenário, a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) aponta que os investimentos no setor saltaram de R$ 18 bilhões, em 2021, para R$ 41 bilhões em 2025. O foco principal é a digitalização e a automação, que, embora não impeçam quedas de árvores sobre a rede, permitem manobras rápidas para isolar problemas e restaurar o serviço sem que bairros inteiros fiquem no escuro.
O dilema da fiação subterrânea
Uma das soluções mais discutidas é o enterramento da rede elétrica. No entanto, o embate sobre quem paga a conta é complexo. As concessionárias argumentam que o custo, até dez vezes superior ao das redes aéreas, não deve recair sobre a tarifa, defendendo que o investimento deve ser parte de políticas de planejamento urbano do poder público. Especialistas, por outro lado, cobram uma postura mais proativa das empresas para modernizar a infraestrutura.
Preparação para o ‘Super El Niño’
Com a previsão de um forte El Niño afetando a América do Sul neste semestre, o setor elétrico está em alerta máximo. O plano de contingência das empresas, regulado pela Aneel, aposta agora no compartilhamento de equipes entre estados — uma estratégia que se provou eficaz durante as crises climáticas no Rio Grande do Sul. O objetivo é garantir mobilidade e rapidez para reconstruir redes destruídas diante de fenômenos que, segundo especialistas, tendem a ser cada vez mais intensos.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

