O desmatamento e a exploração ilegal de madeira seguem como os maiores desafios para a segurança pública no Amazonas. Um estudo inédito realizado pelo Instituto Igarapé, em parceria com o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal, revelou que 71% das investigações de crimes ambientais de alto impacto no estado estão diretamente ligadas à derrubada da floresta.
Um alerta sobre a subnotificação
O levantamento, que analisou dados entre 2023 e julho de 2025, traz um dado preocupante: o Amazonas contabilizou 171 inquéritos ambientais no período. Embora o número pareça expressivo, pesquisadores apontam que a cifra é baixa quando comparada a outros estados, como o Pará, que registrou 7.530 casos. Essa diferença acende um alerta para a possível subnotificação, a falta de efetivo especializado ou limitações operacionais das forças de segurança em cobrir áreas remotas.
Combate focado em crimes graves
Apesar dos desafios logísticos, a atuação policial tem sido cirúrgica. Tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil do Amazonas concentraram 100% de suas operações em crimes de impacto amplo, como desmatamento, queimadas e garimpo ilegal. A Operação Tamoitatá, que integra diversos órgãos estaduais e federais, é apontada como a principal referência regional nessa estratégia de combate à criminalidade ambiental.
População atenta aos danos
O estudo também analisou o papel da sociedade civil. Entre as 180 chamadas recebidas pelo serviço 190 da Polícia Militar, quase 29% das denúncias foram sobre crimes de grande impacto. Para os especialistas, o dado indica que o cidadão amazonense está mais consciente da gravidade dos danos ambientais e tem utilizado os canais oficiais para relatar abusos que comprometem o futuro da nossa floresta.
Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução.

