Um novo levantamento do Monitor do Crédito Rural, realizado pelo MapBiomas, revelou que 15% do crédito rural público concedido no Brasil entre 2019 e 2025 foi destinado a propriedades com alertas de desmatamento ou degradação ambiental. O estudo aponta que, no período, foram registradas 831 mil operações nessas condições, totalizando R$ 92,4 bilhões em recursos.
Concentração bancária e operação
Embora mais de 400 instituições atuem no crédito rural, o mercado é altamente concentrado. Apenas cinco bancos — Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Sicredi e Banrisul — respondem por 60% de todo o volume financiado no país. O Banco do Nordeste lidera em número de contratos, enquanto o Banco do Brasil detém o maior volume financeiro, com R$ 306 bilhões concedidos no período analisado.
Onde o recurso é aplicado
O perfil do financiamento é majoritariamente voltado para investimentos (68%). A pecuária domina o setor, recebendo 58% dos recursos, com a criação de bovinos figurando como a principal atividade. Regionalmente, o Piauí lidera em número de contratos com sobreposições ambientais, enquanto Tocantins, Mato Grosso e Rondônia concentram os maiores valores financeiros envolvidos nessas operações.
Critérios de legalidade
É importante ressaltar que um alerta de desmatamento detectado via satélite não implica, automaticamente, em irregularidade. A legislação brasileira permite a supressão de vegetação desde que haja autorização legal (ASV). O crédito rural só é estritamente proibido em áreas que já possuem embargos formais emitidos por órgãos como o Ibama. Novas regras do Conselho Monetário Nacional que visam endurecer o bloqueio preventivo de crédito, baseadas apenas em alertas de satélite, foram adiadas para janeiro de 2027.
Transparência e fiscalização
A nova versão da plataforma do MapBiomas ampliou a precisão do monitoramento ao cruzar dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e informações do Banco Central. Segundo Paulo Teixeira, pesquisador do MapBiomas, a atualização dobrou a capacidade de análise, permitindo uma visão mais transparente sobre o destino dos recursos. O objetivo é qualificar o debate sobre a sustentabilidade do setor e o rastreamento das áreas financiadas.
Posicionamento das instituições
O Banco do Brasil informou que utiliza 33 bases de dados públicas para checar restrições socioambientais e afirmou que, apenas em 2025, evitou o repasse de R$ 31,6 bilhões para áreas em situação irregular. A instituição ressaltou que mantém cláusulas de vencimento antecipado em contratos caso descumprimentos ambientais sejam identificados após a liberação do crédito.
Já o Banco do Nordeste reforçou que todas as suas operações seguem rigorosamente a legislação. O banco destacou que a presença de contratos em áreas protegidas pode envolver públicos com autorização legal específica, como comunidades indígenas e quilombolas, e que o monitoramento é contínuo, utilizando tecnologias avançadas de sensoriamento remoto.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.

