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Cinema nacional: mulheres seguem sub-representadas em cargos de direção

Brasil e Mundo

Embora sejam a maioria nos cursos de formação audiovisual no Brasil, as mulheres ainda enfrentam uma barreira invisível quando o assunto é ocupar cargos de liderança no cinema. Dados recentes revelam que a participação feminina na direção de filmes e séries nacionais permanece estagnada abaixo de 20%, um cenário que especialistas apontam como urgente de ser transformado.

Políticas públicas como motor de mudança

Para Minom Pinho, produtora e diretora da Associação Paulista de Cineastas (Apaci), o caminho para reverter essa disparidade passa obrigatoriamente por políticas públicas estruturadas. Segundo a idealizadora do Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM Cine), é necessário estabelecer metas claras, como a exigência de que pelo menos 30% das vagas em roteiro e direção sejam ocupadas por mulheres até 2030. “O cinema é uma zona de resistência, mas precisamos de indicadores e indutores para avançar”, defende.

Desempenho versus Oportunidade

O Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024 confirma o abismo entre qualificação e ocupação de postos-chave. Enquanto as mulheres dominam áreas como exibição e distribuição, elas representam apenas 17% da direção de obras brasileiras. O dado é ainda mais gritante quando comparado à produtividade: mesmo com menos espaço, filmes dirigidos por mulheres demonstram alto potencial de atração de público, provando que a competência técnica nunca foi o problema.

Quebra de estereótipos

A sub-representação feminina é frequentemente escondida em setores convencionados pelo mercado como “espaços de mulher”, a exemplo da direção de arte e figurino. Minom Pinho alerta que o foco deve ser a ocupação da cadeira de direção, onde as decisões sobre a narrativa e a construção das imagens são tomadas. Para a produtora, ter mulheres conduzindo essas histórias é essencial para garantir que o cinema reflita a diversidade e a complexidade da sociedade real, superando papéis limitados impostos pelo mercado tradicional.

Protagonismo na América do Sul

O tema ganhou destaque no festival Bonito CineSur, onde especialistas da América do Sul reforçaram a necessidade de uma rede regional de apoio. A atriz chilena Paulina Garcia e a cineasta Gabriela Sandoval destacaram que a união feminina é fundamental para criar narrativas mais profundas. Para elas, ocupar espaços de decisão não é um privilégio, mas uma responsabilidade necessária para abrir caminhos e contar histórias que escapem aos clichês e estereótipos de gênero.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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