A produção de castanha-da-amazônia transformou-se no motor econômico de Amaturá, no extremo oeste do Amazonas. O que antes era apenas uma atividade de subsistência ganhou contornos de negócio estruturado, unindo extrativismo, beneficiamento local e comercialização, garantindo o sustento de dezenas de famílias e reforçando o papel do estado como o maior produtor do país, conforme dados do IBGE.
Tradição e renda no coração da floresta
O ciclo da castanha em Amaturá movimenta a economia local entre janeiro e julho. A coleta, feita a partir dos ouriços que caem naturalmente de castanheiras que chegam a 60 metros de altura, exige esforço e dedicação. Para o castanheiro Raimundo Ribeiro, que atua na área há cinco anos, o ritmo é intenso: durante o auge da safra, é possível coletar até 200 ouriços por dia, cada um contendo até 20 sementes preciosas.
O papel da Aprocam no desenvolvimento
Após a coleta, o trabalho ganha escala na Associação de Produtores e Beneficiadores da Castanha de Amaturá (Aprocam). A entidade hoje emprega cerca de 60 pessoas e funciona como um elo entre o produtor ribeirinho e o mercado consumidor. Dulcinéia Andrade Franco, associada da Aprocam, resume a importância da atividade: “A castanha é o nosso pão de cada dia. Estamos aqui para valorizar a nossa produção”, destaca.
Tecnologia que valoriza a floresta em pé
O diferencial de Amaturá está no processamento. Na agroindústria local, as castanhas passam por processos rigorosos de secagem, triagem e tratamento térmico em autoclave antes de serem embaladas para venda dentro e fora do Amazonas. Esse cuidado garante um produto de maior qualidade e, consequentemente, mais valor no mercado.
Para Aurélio Santos Lucas, presidente da associação, a atividade é o exemplo perfeito de economia verde. “Trabalhamos com um produto que não exige desmatamento. É uma atividade totalmente sustentável”, reforça. A visão é compartilhada por Tarciana de Carvalho Coutinho, diretora do Parque Científico e Tecnológico do Alto Solimões (Ufam), que defende a replicação do modelo: “Precisamos evoluir do processo tradicional para um modelo onde a tecnologia gere valor real aos nossos produtos, respeitando as potencialidades de cada região”, conclui a pesquisadora.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.

