O governo federal deu o primeiro passo oficial para reagir à ofensiva comercial dos Estados Unidos. Nesta quinta-feira (13), foi aberto um processo formal para avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, uma medida que pode resultar em sobretaxas ou restrições a produtos norte-americanos que chegam ao Brasil.
O que diz o Planalto
A decisão foi oficializada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). Em paralelo, o Ministério das Relações Exteriores iniciou o protocolo para solicitar consultas diplomáticas com os EUA. O objetivo é buscar uma solução negociada, mas o governo brasileiro deixa claro que não descartará contramedidas caso os danos à economia nacional persistam.
Entenda a Lei de Reciprocidade
Criada como uma resposta direta a políticas unilaterais, a Lei nº 15.122 permite que o Brasil suspenda benefícios ou imponha tarifas contra países que prejudiquem a competitividade dos nossos produtos no exterior. O princípio é claro: o país pode aplicar medidas de retaliação que sejam proporcionais ao impacto financeiro causado pela barreira estrangeira.
O peso das taxas americanas
Desde julho, produtos brasileiros — incluindo aço, ferro, açúcar, calçados e maquinário — sofrem com uma sobretaxa de 25%, com um agravante de 12,5% em alguns setores. Essas barreiras afetam cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras. Os Estados Unidos justificam as medidas alegando práticas desleais de comércio, argumento refutado pelo Brasil, que já acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a arbitrariedade das tarifas.
Defesa da economia nacional
Enquanto o imbróglio diplomático segue, o governo brasileiro reforça que prioriza o diálogo, mas não ficará inerte diante do prejuízo aos exportadores. A estratégia atual envolve a defesa do multilateralismo, a busca por novos mercados e o fortalecimento do Plano Brasil Soberano para proteger empregos e a produtividade interna contra as instabilidades causadas pela política externa norte-americana.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

