Sancionada pelo Executivo, a nova lei consolida o tricampeão mundial de Fórmula 1 como um dos maiores símbolos de identidade e orgulho nacional do Brasil.
Brasília — O tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna da Silva recebeu formalmente a mais alta honraria cívica do país. Foi sancionada a Lei 15.447/2026, que inscreve o nome do ex-piloto no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. O tomo de aço, que preserva a memória de personagens que moldaram a história do Brasil, fica depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
A legislação é decorrente do Projeto de Lei 789/2024, de autoria do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP). A proposta contou com o relatório favorável do senador Jorge Kajuru (PSB-GO) e seguiu para sanção após aprovação em caráter terminativo pela Comissão de Esporte do Senado, dispensando a deliberação no Plenário da Casa.
O Significado do “Livro de Aço”
Criado em 1992, o título de Herói ou Heroína da Pátria é uma distinção reservada a cidadãos que demonstraram dedicação excepcional à defesa, ao desenvolvimento ou à projeção internacional do Brasil. Ao ter seu nome eternizado ao lado de figuras como Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Santos Dumont e Anita Garibaldi, Senna tem seu impacto cultural e social formalizado pelo Estado brasileiro.
Esta não é a primeira honraria institucional concedida ao piloto; em 2023, o Congresso Nacional já havia promulgado a lei que o declarou Patrono do Esporte Brasileiro.
Trajetória e Legado Além das Pistas
Nascido em São Paulo, em 21 de março de 1960, Ayrton Senna é amplamente considerado um dos maiores esportistas do século XX. Na Fórmula 1, o piloto alcançou o ápice da categoria ao conquistar os mundiais de 1988, 1990 e 1991 pela escuderia McLaren. Ao longo de sua carreira, acumulou 41 vitórias, 80 pódios e 65 pole positions, marcas que revolucionaram os parâmetros técnicos e de pilotagem no automobilismo mundial.
Para além das estatísticas desportivas, Senna tornou-se um fenômeno social. Em um período de instabilidade econômica e política no Brasil, as manhãs de domingo transformaram-se em um ponto de união nacional, onde o gesto de empunhar a bandeira brasileira ainda dentro do cockpit reforçava o sentimento de autoestima do país.
O piloto faleceu precocemente no dia 1º de maio de 1994, aos 34 anos, após colidir na curva Tamburello durante o Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália. O trágico acidente motivou uma reestruturação profunda nos protocolos de segurança da Federação Internacional do Automóvel (FIA).
Meses após a sua morte, a família do piloto fundou o Instituto Ayrton Senna, concretizando um desejo do próprio atleta de expandir as oportunidades para crianças e jovens de baixa renda. Nas últimas três décadas, a organização tornou-se uma das principais ONGs de educação do país, aplicando conceitos de desenvolvimento humano e apoiando redes públicas de ensino em todas as regiões do Brasil, perpetuando o impacto social do novo Herói da Pátria.

