O artesanato se tornou muito mais do que um passatempo em Manacapuru. Para dezenas de mulheres do município, a atividade virou uma tábua de salvação, transformando talentos manuais em fonte de renda e dignidade. Recentemente, uma feira reuniu histórias de superação que unem mães solo, pacientes em tratamento de saúde, indígenas e vítimas de violência doméstica em um projeto que impulsiona o empreendedorismo feminino na região.
Da dor à superação
Entre as expositoras, a história de Aurinete Alves de Oliveira se destaca pela resiliência. Há 16 anos, enquanto enfrentava o tratamento contra um câncer de mama, ela encontrou no artesanato uma forma de ocupar a mente e fugir das conversas sobre a doença. O que começou com o aprendizado da técnica de fuxico hoje se tornou sua missão de vida: hoje, Aurinete ministra oficinas para outras mulheres que enfrentam quadros de depressão, ansiedade e o próprio câncer. “Se o Senhor me deu uma segunda chance, vou viver para fazer algo diferente. Hoje ajudo outras mulheres a também gerarem sua própria renda”, conta.
Ancestralidade e identidade
A feira também é um espaço de preservação cultural. Ivanete Laborda, indígena do povo Apurinã, percorreu o caminho da zona rural até a sede do município para expor grafismos tradicionais feitos com jenipapo. A técnica, aplicada em bolsas e camisetas, é muito mais que um produto comercial: é a afirmação da cosmologia e da luta do seu povo. “O grafismo mostra o que representamos na nossa vivência diária e ajuda a manter nossa cultura viva”, ressalta a artesã, que utiliza o evento como vitrine para expandir o alcance de sua arte.
Rede de apoio e novos caminhos
O projeto, que conta com cerca de 80 artesãs, serve como um ponto de virada para muitas mulheres. Rosângela Picanço, coordenadora da iniciativa e também mãe solo e sobrevivente do câncer, destaca o impacto social da ação. “Muitas das nossas participantes chegaram sem saber uma profissão e hoje já garantem o sustento através do que produziram com o aprendizado nas oficinas”, explica.
A diversidade de produtos, que vai de biojoias — produzidas inclusive por professoras aposentadas que encontraram no artesanato uma nova carreira — a cosméticos naturais e costura criativa, movimentou R$ 46 mil na última edição, realizada durante as comemorações de aniversário da cidade.
Vitrine de oportunidades
Mais do que vendas imediatas, o objetivo da Prefeitura de Manacapuru é consolidar o evento como um centro de negócios. Segundo a secretária de Políticas para as Mulheres, Ariane Campello, a feira é o caminho para que essas artesãs fortaleçam seus empreendimentos. “Nosso foco é criar o ambiente necessário para que essas mulheres ampliem seus contatos e transformem seu talento em um negócio sustentável”, conclui.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.
Foto da capa: Reprodução / G1 Amazonas

