O Amazonas ocupa uma posição preocupante no cenário da preservação ambiental. Um estudo inédito realizado pelo Instituto Centro de Vida e pela Transparência Internacional – Brasil revelou que o estado possui o pior desempenho entre as nove unidades da federação da Amazônia Legal no quesito proteção a defensores ambientais, alcançando apenas 14,8 pontos.
Um cenário de vulnerabilidade
A avaliação, que analisou pilares como transparência, participação social e acesso à Justiça, classificou o estado como ‘regular’ no ranking geral, com 43,8 pontos, ficando atrás de Mato Grosso e Pará. Para especialistas e ativistas, o dado reflete um problema estrutural: quem levanta a voz contra crimes ambientais na região muitas vezes é visto como um obstáculo ao desenvolvimento econômico ou, até mesmo, como um inimigo por setores do próprio poder público.
Jô Farah, representante da ONG Mata Viva, destaca que a falta de transparência em licenciamentos ambientais agrava a situação. Segundo ela, muitas áreas são devastadas sem que a sociedade receba explicações claras sobre as justificativas técnicas, tornando o trabalho de fiscalização da sociedade civil um caminho perigoso e solitário.
O contraste do Judiciário
Apesar do baixo índice na proteção de ativistas, o Amazonas registrou sua melhor marca no pilar de acesso à Justiça, pontuando 73,7. O advogado ambientalista Antônio Norte ressalta, no entanto, que o acesso formal ao sistema judiciário não basta. ‘É preciso reduzir a morosidade dos processos e fortalecer estruturas especializadas que hoje estão fragilizadas’, afirma.
Mobilização e o papel da comunidade
A luta pela preservação também ganha força na ponta, com comunidades locais assumindo a linha de frente. Na região do Catalão, em Manaus, moradores têm adotado iniciativas próprias para conter a poluição, desde a denúncia de vazamentos de combustível até a criação de sistemas de gestão de resíduos. Para especialistas, o fortalecimento da democracia ambiental no Amazonas exige, urgentemente, políticas públicas de dados abertos e, sobretudo, o fim da sensação de impunidade contra quem atua em defesa da floresta.
Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução.

