Produtos estratégicos escapam da sobretaxa americana
Uma parcela significativa da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos permaneceu protegida do recente “tarifaço” anunciado pelo governo americano. Itens essenciais como aeronaves, petróleo, carne bovina, café, celulose e minérios de ferro e gusa não foram incluídos na lista de sobretaxas de 25% imposta pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
Esses produtos, que juntos representam cerca de um terço do volume total exportado pelo Brasil para o mercado estadunidense, foram poupados principalmente por serem insumos cruciais que a economia americana não produz em escala ou preço competitivos. A isenção visa evitar o desabastecimento interno e a instabilidade de preços naquele país.
Setores atingidos e justificativa dos EUA
Apesar da lista de exclusões, a medida, que entra em vigor no dia 22 deste mês, impacta duramente outros setores. Produtos de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, além de diversos itens farmacêuticos e maquinários, sofrerão o aumento de 25% nos impostos de importação.
O USTR justificou a decisão alegando que práticas comerciais brasileiras estariam “onerando ou restringindo” a competitividade de trabalhadores e exportadores americanos. O governo brasileiro reagiu prontamente, repudiando a medida e classificando a investigação dos EUA como infundada e ilegítima.
Governo prepara retaliação
Em nota oficial, o Itamaraty informou que o Brasil não aceitará as tarifas passivamente. O país deu início aos trâmites legais para ativar a Lei de Reciprocidade, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional, e levará o impasse para a mesa de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Setor cafeeiro comemora, mas mantém cautela
A exclusão do café da lista de tarifas foi celebrada por entidades como a Abic, Abics e o Cecafé. Segundo o setor, o resultado é fruto de um esforço diplomático conjunto com a National Coffee Association (NCA) dos EUA e importadores locais, que garantiu não apenas a isenção dos cafés tradicionais, mas a inclusão do café solúvel na lista de exceções.
O setor estima que a decisão proteja exportações anuais na casa dos US$ 2,5 bilhões. No entanto, o otimismo é cauteloso: as entidades alertam que uma segunda investigação do USTR ainda está em curso e pode resultar em uma nova taxação de 12,5% sobre o grão. Por isso, as associações garantem que continuarão mobilizadas na defesa da competitividade do café brasileiro no mercado global.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.

