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Seca no Amazonas: Donos de flutuantes no Tarumã se preparam para restrições operacionais

Amazonas

Desafio anual no Tarumã

A chegada do período de estiagem no Amazonas, com pico previsto entre setembro e outubro, acende o alerta vermelho para os empresários do Rio Tarumã, em Manaus. Com o nível dos rios em queda constante — o Rio Negro já registra marcas preocupantes — a rotina nos flutuantes começa a mudar. O que antes era apenas lazer e gastronomia, agora vira uma verdadeira operação de guerra para garantir a sobrevivência dos negócios.

Adaptação e incerteza

Enquanto a cota oficial do Porto de Manaus dita o ritmo, os donos de flutuantes buscam estratégias distintas para minimizar os prejuízos. No famoso flutuante Abaré, a estratégia é clara: se o Rio Negro atingir a marca de 17 metros, as atividades flutuantes serão suspensas, com parte da operação migrando para a faixa de areia. A medida inclui férias coletivas e cortes no quadro de funcionários para tentar atravessar o período de seca severa.

O peso do assoreamento

Um agravante nesta temporada é o assoreamento do Rio Tarumã. Proprietários afirmam que, devido ao acúmulo de sedimentos, o leito está mais raso do que em anos anteriores, o que antecipa a interrupção das atividades. A tecnologia de tratamento de resíduos, essencial para o funcionamento regular, também precisa ser desativada conforme o nível da água baixa, tornando a operação inviável em áreas de muita lama.

Impacto social e segurança

Além da economia, a seca atinge diretamente o lado social. De caseiros a prestadores de serviços, toda uma cadeia produtiva que depende do movimento no Tarumã sofre com a paralisação. Soma-se a isso o desafio da segurança: com as estruturas inativas, aumenta o risco de furtos e danos à infraestrutura, obrigando os proprietários a reforçarem ancoragens e retirarem equipamentos de valor preventivamente.

A voz do rio

Para quem vive e empreende sobre as águas em Manaus, a lição é aprendida na prática: não há margem para teimosia. Como define a empresária Nádia Ferreira, do flutuante Odara: ‘É o rio quem determina quando podemos operar e quando precisamos parar’. A adaptação não é apenas uma escolha comercial, mas uma necessidade imposta pela própria natureza da região.


Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução.

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