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Combate ao crime no AM gera prejuízo de R$ 263 milhões, mas facções mantêm controle nos rios

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Balanço das operações no Amazonas

Nos últimos dois anos, as forças de segurança estaduais e federais intensificaram o cerco ao crime organizado no Amazonas. Entre 2024 e 2026, mais de 1.900 pessoas foram presas e o prejuízo estimado às facções criminosas superou a marca de R$ 263 milhões. Dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) revelam que, apesar dos investimentos federais de R$ 265 milhões em equipamentos, tecnologia e inteligência, o domínio territorial sobre as calhas dos rios continua sendo um desafio crítico.

Resultados e o cerco logístico

As ações integradas focaram na desarticulação de corredores estratégicos de escoamento. O balanço do período registra a apreensão de mais de 9 toneladas de drogas, a incineração de outras 48 toneladas e a retirada de 471 armas de fogo de circulação. Além disso, foram realizadas 20 operações de grande porte e centenas de milhares de ações de patrulhamento, contando com o apoio de novos drones e softwares de inteligência para auxiliar os agentes em campo.

O desafio do território amazônico

Especialistas em segurança pública alertam que o poder financeiro do narcotráfico permite que as facções absorvam os prejuízos das apreensões como simples custos operacionais. O historiador e cientista político Joel Paviotti aponta que a imensidão da rota do Rio Solimões, somada à baixa presença do Estado em áreas remotas, facilita a expansão dos grupos criminosos. Para Paviotti, a corrupção e a falta de efetivo suficiente para monitorar fronteiras gigantescas permitem que o crime mantenha sua hegemonia mesmo diante de operações constantes.

Nova face do crime: Tráfico e exploração ambiental

A dinâmica do crime no Amazonas tornou-se mais complexa com a disputa entre facções rivais pelo controle da Tríplice Fronteira. Além do tráfico de entorpecentes, as organizações criminosas consolidaram um sistema híbrido que utiliza o garimpo ilegal, a grilagem e a extração predatória de madeira como ferramentas de lavagem de dinheiro. Atualmente, o controle dessas atividades serve para financiar a compra de armamentos pesados e expandir a influência sobre comunidades ribeirinhas, tornando o combate ao crime uma tarefa que exige muito mais do que apenas força ostensiva.


Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução.

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