Esquema profissional de vigilância
Uma célula do Comando Vermelho que atuava nos rios do Amazonas operava com uma estrutura digna de uma empresa, com direito a escala de trabalho e remuneração fixa. A informação foi confirmada pela Polícia Civil durante a Operação Visão Noturna, que desmantelou o grupo responsável por vigiar embarcações das forças de segurança para facilitar o tráfico de drogas.
Segundo o Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), os suspeitos recebiam cerca de R$ 100 por cada plantão noturno. A função principal era monitorar a movimentação da Polícia Civil e Militar na Região Metropolitana de Manaus, garantindo que os carregamentos de entorpecentes chegassem à capital sem serem interceptados.
Tecnologia e monitoramento em tempo real
O grupo utilizava câmeras instaladas estrategicamente com vista para o Rio Negro, especialmente na região do Educandos, na Zona Sul de Manaus. Qualquer sinal de embarcação oficial era registrado e repassado instantaneamente através de um grupo de mensagens sugestivamente chamado de “Visão Noturna”.
“Eles faziam uma espécie de plantão remunerado para garantir que as rotas dos traficantes fossem alteradas a tempo, evitando as fiscalizações entre as áreas de fronteira e a capital”, explicou o delegado Mário Telles, diretor do DRCO.
Origem da investigação
A derrocada da facção começou após uma grande apreensão de 4,5 toneladas de drogas em fevereiro deste ano, na região de Iranduba. O caso serviu como fio condutor para que as autoridades descobrissem como a célula operava e recebia ordens diretas de líderes foragidos.
A ação policial contou com um forte aparato de segurança, envolvendo unidades de elite como o Core e o Bope, reforçando o combate cerrado contra a logística do crime organizado nos rios do Amazonas.
Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução.

