A criatividade na cozinha tem sido a chave para uma verdadeira revolução econômica na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Na Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangues de Magé (ACAMM), um grupo de mulheres encontrou uma forma inovadora de aumentar a renda familiar transformando a ubarana — um peixe antes ignorado pelo mercado — em uma iguaria disputada.
Do descaso ao sucesso gastronômico
A ubarana sempre foi abundante na Baía de Guanabara, mas o excesso de espinhas finas afastava os consumidores e desvalorizava o produto. Graças aos saberes ancestrais e à técnica apurada das pescadoras, o pescado passou por uma metamorfose. Hoje, o espaço da ACAMM oferece um cardápio variado que inclui estrogonofe, escondidinho, almôndegas e até coxinhas de ubarana, atraindo turistas, pesquisadores e moradores locais.
Cozinha como espaço de acolhimento
Para Márcia Regina, que dedicou quatro décadas à pesca, o projeto vai além dos números. A cozinha tornou-se um refúgio social. “Muitas mulheres chegavam aqui enfrentando a depressão. Entre uma receita e outra, compartilhamos nossos problemas e histórias. Uma ajuda a outra, e o resultado é uma rede de apoio que gera renda e saúde mental para 15 famílias diretamente”, relata.
Sustentabilidade e futuro
O sucesso do projeto está intrinsecamente ligado à preservação ambiental. Para garantir a qualidade do pescado, a associação atua fortemente na limpeza e reflorestamento do manguezal. Apenas neste ano, mais de 12 toneladas de resíduos foram retiradas do Rio Suruí. Esse compromisso com o meio ambiente atrai o turismo de base comunitária, fazendo com que os visitantes não busquem apenas o sabor da ubarana, mas também aprendam sobre a importância da preservação dos estuários.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

