Olhares que capturam a mudança
No Dia da Fotografia, celebrado nesta quarta-feira (19), dois nomes de peso do fotojornalismo amazonense, Raphael Alves e Michael Dantas, revelam os bastidores de uma missão desafiadora: documentar as drásticas mudanças nos ciclos das águas no Amazonas. Com décadas de carreira, ambos acompanharam cheias históricas e estiagens severas, registrando cenas que vão muito além da paisagem: a transformação profunda na rotina de quem vive nas comunidades ribeirinhas.
A fotografia como reflexo
Para Raphael Alves, que consolidou seu trabalho desde 2008 focado nos rios, o registro fotográfico vai além do fato jornalístico. ‘Eu gosto de fazer meus trabalhos nos silêncios, nos intervalos’, explica. Em suas lentes, o cenário pode mudar entre a cheia e a seca, mas a busca permanece a mesma: uma representação introspectiva que dá dignidade e voz às populações locais. Para o fotógrafo, o importante é ouvir e ver essas pessoas com o devido respeito.
Rioss: estradas que se transformam
Michael Dantas traz uma perspectiva que une a admiração pela natureza à urgência da denúncia social. Testemunha das secas recentes, Dantas destaca o estranhamento de ver rios transformados em bancos de areia e barcos substituídos por motos e carros. ‘Como todos sabem, na Amazônia os rios são nossas estradas. Quando a água some, o isolamento vira um desafio diário’, relata. O fotógrafo destaca que, mais do que registrar a beleza, sua função hoje é ser um observador crítico da emergência climática.
Testemunhas do tempo
Seja registrando peixes mortos, caminhos de areia ou a resiliência de comunidades isoladas, Dantas e Alves concordam que o papel da fotografia tornou-se uma ferramenta indispensável. Em um cenário onde o futuro da região é incerto, o trabalho desses profissionais garante que as mudanças climáticas não sejam apenas sentidas, mas devidamente documentadas para a posteridade, assegurando que o que ocorre hoje nas entranhas da floresta não seja esquecido pelo mundo.
Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução.

