O Brasil vive uma verdadeira revolução silenciosa nas ruas. Em apenas oito anos, a frota de bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores explodiu, saltando de 7,6 mil unidades em 2016 para impressionantes 284 mil em 2024. O fenômeno, que transforma a forma como brasileiros se deslocam, será o tema central do programa Caminhos da Reportagem, que vai ao ar nesta segunda-feira (17), às 23h, pela TV Brasil.
Praticidade versus perigo
Se para muitos o transporte elétrico é a solução ideal para driblar o trânsito e facilitar trajetos curtos, a convivência nas vias públicas tem gerado preocupação. A integração desses veículos leves com o fluxo pesado de grandes metrópoles, como Rio de Janeiro e São Paulo, frequentemente resulta em conflitos e acidentes graves, expondo a fragilidade de pedestres e ciclistas diante da falta de infraestrutura adequada.
Regras e segurança em debate
Atualmente, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) divide esses veículos em três categorias: bicicletas elétricas (com pedal assistido), autopropelidos (que não exigem pedal e limitam-se a 32 km/h) e ciclomotores (que alcançam até 50 km/h). Enquanto as duas primeiras categorias são mais acessíveis, sem exigir habilitação ou licenciamento, os ciclomotores seguem regras mais rigorosas, similares às de motocicletas.
Cidades despreparadas
Especialistas alertam para a urgência de um planejamento urbano que comporte essas mudanças. Para Marcus Quintella, professor da FGV, o desafio é encontrar um equilíbrio: incentivar a micromobilidade — vital para a matriz de transporte atual — sem permitir que a circulação se torne um caos descontrolado. O debate levanta questões cruciais sobre a segurança, especialmente com o crescente uso desses aparelhos por adolescentes, e a necessidade de fiscalização mais rígida nas vias das cidades brasileiras.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

