Decisão mantém o evento, mas exige transparência
A Justiça do Amazonas permitiu a realização da Agropec 2026 no município de Careiro. Apesar de negar o pedido do Ministério Público do Estado (MPAM) para suspender a festa, o juiz Geildson de Souza Lima impôs condições rigorosas para a gestão municipal: a prefeitura terá um prazo de 20 dias para apresentar um relatório detalhado de todos os gastos com o evento, além de comprovar o pagamento da folha salarial dos servidores e o status das dívidas com fornecedores.
Risco de multa e afastamento
O descumprimento da ordem judicial pode sair caro para a prefeita Mara Alves de Lima. Ela está sujeita a uma multa diária de R$ 5 mil e corre o risco de afastamento cautelar do cargo caso a documentação — que inclui contratos, editais e comprovantes de liquidação — não seja entregue ou se a omissão de dados persistir. A medida visa garantir que os recursos públicos não sejam priorizados para o entretenimento em detrimento de obrigações básicas.
Privado na liderança e impacto na economia
A decisão de manter o evento levou em conta que grande parte dos custos com atrações nacionais será bancada pela empresa Gama Construções e Eventos Ltda., vencedora de chamamento público. Além disso, o judiciário avaliou que o cancelamento da Agropec traria prejuízos imediatos à economia local, atingindo diretamente agricultores, comerciantes e o setor de serviços, sem que isso garantisse, por si só, a regularização dos pagamentos atrasados.
Déficit orçamentário em alerta
O cenário financeiro de Careiro é monitorado de perto. Dados recentes apontam que o município encerrou o último ciclo com um déficit orçamentário superior a R$ 14 milhões. A ação do Ministério Público nasceu justamente da falta de transparência no Portal da Transparência e das constantes denúncias de servidores sobre atrasos salariais e pendências com fornecedores, temas que agora precisam ser esclarecidos à justiça sob pena de sanções severas.
Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução.

