Memória e Justiça nas telas
O longa-metragem paraguaio ¿Quién Mató a Narciso? foi o grande destaque da 4ª edição do Bonito CineSur, realizado em Mato Grosso do Sul. O filme conquistou o prêmio de melhor longa sul-americano, abordando um dos episódios mais sombrios da história do Paraguai: o assassinato de um jovem locutor de rádio em 1959, crime que, segundo investigações, pode ter sido arquitetado pelo regime militar de Alfredo Stroessner.
Um grito contra o esquecimento
Dirigido por Marcelo Martinessi, o filme resgata a memória de Bernardo Aranda, um jovem LGBT+ morto durante o período de repressão. O ator Diro Romero, protagonista da obra, ressaltou a importância do cinema como ferramenta de denúncia e alerta contra o retorno de ideologias autoritárias. “Dizemos que a ditadura terminou, mas sentimos que ela ainda ronda o mundo. É hora de abrir os olhos”, destacou Romero.
Cinema ambiental e integração regional
O festival também premiou a consciência ecológica. O diretor colombiano Alejandro Calderón brilhou ao levar três estatuetas, incluindo melhor longa ambiental com Páramos II: El Origen. Em seu discurso, Calderón homenageou ativistas ambientais assassinados na Colômbia, reforçando que o cinema serve como um escudo protetor para quem luta pela terra.
O futuro do audiovisual sul-americano
Com 32 filmes de dez países diferentes, o Bonito CineSur consolidou-se como um polo de resistência cultural. O diretor do festival, Nilson Rodrigues, defende que o próximo passo para o continente é a criação de um bloco de coprodução. O objetivo é facilitar a circulação de obras e talentos entre vizinhos, fortalecendo a identidade e o mercado cinematográfico sul-americano.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

