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Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na UE

Brasil e Mundo Saúde

O Brasil figura no centro de um intenso debate sobre o uso de defensivos agrícolas. Entre os dez agrotóxicos mais comercializados em território nacional, sete são banidos na União Europeia devido ao potencial risco de câncer, malformações fetais, distúrbios hormonais e danos ambientais severos. Essa disparidade regulatória é classificada por especialistas como um caso crítico de “colonialismo químico”.

O custo da dependência

A denúncia foi feita pela geógrafa Larissa Mies Bombardi, pesquisadora do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Niterói (RJ). Com 15 anos de estudo sobre as conexões entre a economia global e o uso de químicos no campo, a especialista argumenta que a prática revela uma submissão do Brasil aos interesses de indústrias estrangeiras, que exportam para cá produtos proibidos em seus próprios países de origem.

Os produtos citados na lista dos mais utilizados no país e vetados na UE incluem o Mancozebe, 2,4-D, Acefato, Clorotalonil, Atrazina, S-metolacloro e o Dibrometo de Diquate.

Danos à biodiversidade

Além dos riscos à saúde humana, a geógrafa destaca os impactos catastróficos à fauna. Dados do “Atlas dos Pesticidas 2022” indicam uma queda de 41% na população global de insetos na última década, número que sobe para 53% no caso das borboletas. A atrazina, herbicida amplamente utilizado, é apontada como responsável por anomalias em anfíbios, alterando o sexo de sapos e ameaçando a reprodução das espécies.

Concentração de mercado e terras

O cenário é agravado pela concentração de poder econômico. Apenas quatro empresas — as alemãs Basf e Bayer, a americana Corteva e a chinesa Sinochem — controlam 51% do mercado de sementes e 62% do mercado de agrotóxicos globalmente. Bombardi relaciona essa dinâmica à questão fundiária brasileira: segundo a pesquisadora, o monopólio da terra no Brasil dita as regras agrícolas, independentemente de alternâncias políticas.

A posição das autoridades

O governo brasileiro, por meio da Lei 14.785/2023, regula a autorização e fiscalização desses produtos. O Ministério da Agricultura (MAPA) concede os registros, enquanto a Anvisa conduz as avaliações toxicológicas e o Ibama analisa o impacto ambiental. Em nota, a Anvisa reforçou que cada país possui regras próprias para o registro de defensivos.

A agência destacou que realiza processos de reavaliação periódicos e que, desde 2006, proibiu o uso de 13 ingredientes ativos, incluindo o carbendazim e o paraquate. Outros produtos, como o glifosato e o 2,4-D, permanecem com registros mantidos sob restrições para mitigar riscos, enquanto o clorotalonil aguarda o início de um novo processo de reavaliação.

Para a pesquisadora, o caminho para romper esse ciclo passa por uma mudança na consciência pública e no fortalecimento de políticas voltadas à agricultura familiar, buscando autonomia diante da dependência de insumos químicos internacionais.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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