A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2% para este ano. A estimativa, detalhada no Informe Conjuntural do 2º trimestre, aponta para uma economia que avança em ritmo moderado, amparada pela força da indústria extrativa, pelo desempenho do agronegócio e pela resiliência do setor de serviços.
Desafios para o crescimento
Apesar do cenário positivo em setores específicos, a CNI alerta que a recuperação econômica enfrenta entraves significativos. Mario Sergio Telles, diretor de Economia da entidade, destacou que, embora o consumo e as commodities sustentem o PIB, a combinação de juros elevados, fragilidades nas contas públicas e a persistência da inflação trava um avanço mais acelerado do país.
Inflação e desequilíbrio fiscal
A entidade revisou para cima a expectativa de inflação, elevando a projeção do IPCA de 4,4% para 5%. O aperto fiscal também acende um alerta: mesmo com o crescimento da arrecadação federal, o aumento das despesas deve manter as contas públicas no vermelho, com um déficit primário estimado em R$ 55,3 bilhões e a dívida pública alcançando 82% do PIB.
Indústria e construção civil
Houve uma melhora na projeção do PIB industrial, que subiu de 1,6% para 2,1%. O destaque positivo fica por conta da indústria extrativa, impulsionada pela produção de petróleo. Já a indústria de transformação segue sob pressão, com alta nas importações e custos elevados. Enquanto isso, a construção civil tende a ganhar fôlego com novos investimentos em infraestrutura e facilidades no crédito habitacional.
Desempenho do agro e serviços
O agronegócio recebeu a segunda revisão positiva consecutiva, com expectativa de crescimento de 1,8%, sustentado por uma safra recorde, especialmente de soja. Por outro lado, o setor de serviços teve sua previsão reduzida para 1,9%. Embora o mercado de trabalho ainda sustente o consumo, o aumento do endividamento das famílias e a inadimplência começam a limitar a expansão das atividades de serviços e comércio.
Juros em patamar restritivo
Diante da inflação mais alta e da incerteza fiscal, a CNI tornou seu diagnóstico sobre a política monetária mais conservador. A expectativa de cortes na Taxa Selic foi reduzida: a projeção para o fim do ano passou de 12,75% para 13,75% ao ano. Isso significa que os juros devem permanecer em um nível restritivo, inibindo investimentos por boa parte de 2026.
Risco externo e comércio
O cenário global continua sendo monitorado de perto. A guerra no Oriente Médio segue como o principal fator de risco, pressionando os custos de energia e fertilizantes. Além disso, a CNI observa com cautela o avanço das importações e os potenciais impactos de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, que podem comprometer a balança exportadora brasileira, atualmente com superávit projetado em US$ 77,9 bilhões.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.

