O início desta segunda-feira (20) foi marcado por caos e transtornos para quem depende do transporte coletivo em Manaus. Uma paralisação repentina dos rodoviários interrompeu a circulação de 100% da frota na capital, pegando milhares de passageiros de surpresa nos terminais de integração e paradas de ônibus espalhadas por todas as zonas da cidade.
Transtorno e revolta da população
Nos terminais, o cenário era de plataformas lotadas e muita frustração. Quem precisava chegar ao trabalho, consultas médicas ou resolver pendências teve os planos frustrados. A camareira Alice Cristina, que tentava chegar ao Centro para um exame de risco cirúrgico, lamentou o prejuízo: “Tinha horário marcado, mas nem sinal de ônibus. Vou ter que tentar remarcar, é o jeito”, desabafou.
A falta de aviso prévio também foi alvo de críticas. No Terminal 1, Naira Souza, que estava acompanhada de uma filha de apenas dois anos, relatou a dificuldade de ficar desamparada nas ruas. Já a técnica em saúde bucal, Kamila Cristina, criticou a forma como o impasse afeta quem depende do serviço: “Eles precisam resolver isso entre eles, os empresários e o sindicato, sem envolver a população que precisa do transporte para sobreviver”.
O motivo do impasse
De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, a paralisação é uma resposta ao atraso recorrente no pagamento dos salários da categoria. Segundo Josenildo Silva, vice-presidente do sindicato, a medida foi tomada após as empresas ignorarem prazos estabelecidos judicialmente. “O trabalhador precisa pagar contas de água, luz e aluguel. Mesmo com sentença judicial e multa, as empresas não respeitaram o que foi acordado”, afirmou.
No início deste mês, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) havia determinado, por meio de liminar, o pagamento escalonado de 40% dos salários até o dia 20 e o restante até o quinto dia útil do mês subsequente, determinação que, segundo a categoria, não foi cumprida.
O que dizem os envolvidos
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) classificou a paralisação como uma surpresa e afirmou não ter sido notificado previamente sobre o movimento. Em nota, a entidade declarou que mantém o diálogo aberto, mas que buscará medidas judiciais para garantir o retorno da circulação dos ônibus.
Até o momento, a Prefeitura de Manaus, responsável pela gestão do sistema de transporte público, não se manifestou sobre o colapso no serviço ou sobre quais medidas serão tomadas para minimizar o impacto aos usuários.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.

