A arte como forma de resistência
Fortaleza recebe, a partir deste sábado (18), a exposição “Terror celestial” no Museu de Arte Contemporânea (MAC Dragão). A mostra reúne obras de 24 artistas LGBT+ e propõe uma reflexão profunda sobre como o imaginário do medo e do “monstruoso” pode ser ressignificado como potência criativa. A exposição permanece aberta ao público até o dia 4 de outubro.
Segundo o curador Lucas Dilacerda, a iniciativa nasce da necessidade de confrontar a maneira como a sociedade historicamente rotula a comunidade LGBT+. “Historicamente, essa população é classificada como anormal, estranha ou monstruosa. Essa violência gera traumas que reverberam na vida adulta, e a exposição busca investigar como esse imaginário é transmutado na produção artística”, explica.
O “monstro” como projeção social
Para Dilacerda, a imagem do “monstro” é uma ferramenta utilizada pela sociedade para tentar definir o que é “normal” através da exclusão do outro. A mostra explora essa premissa ao apresentar figuras híbridas e paisagens surrealistas que desafiam fronteiras humanas.
Para garantir a diversidade da mostra, o curador realizou uma curadoria rigorosa, analisando quase 300 portfólios. O objetivo foi reunir artistas com diferentes recortes de raça, geração e vivências territoriais, reforçando que não existe um único perfil ou estética para pessoas LGBT+.
O espaço também foca na acessibilidade, disponibilizando recursos como textos em Libras, audiodescrição e pranchas de comunicação alternativa, acessíveis via QR Code ou com suporte da equipe educativa do museu.
Três eixos da criação
A exposição “Terror celestial” está organizada em três linhas curatoriais distintas:
Monstros e quimeras: Explora o que transcende a compreensão do humano, utilizando seres híbridos e elementos dos reinos animal, vegetal e mineral para criar um imaginário místico. Participam desta seção artistas como Davi Ângelo, Higo José, Jonas Van, entre outros.
Espiritualidade terrena: Foca na religião como um tema central na vida da comunidade LGBT+. A curadoria propõe a espiritualidade como espaço de cura, dialogando com saberes de matriz africana, cosmovisões indígenas e tradições populares em obras de artistas como Isadora Ravena, Nicolas Gondim e Sérgio Gurgel.
Terror das formas: Baseia-se no conceito de “terrorismo de gênero”, tratando o termo como um sinônimo de desobediência e inovação estética. Este núcleo apresenta trabalhos que questionam a gramática normativa das artes, trazendo diversas linguagens como performance, vídeo, pintura e instalação, utilizando materiais orgânicos como barro, terra e sal.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.

