A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) deflagrou uma ofensiva judicial para recuperar R$ 641,4 milhões perdidos pelo Fundo Único de Previdência Social do Estado (Rioprevidência). Nesta quinta-feira (16), foram protocoladas três ações contra a Master Corretora e gestoras de fundos ligadas ao conglomerado, que atualmente enfrenta um processo de liquidação extrajudicial.
O alvo da investigação
O foco principal das medidas judiciais recai sobre aportes realizados em dois fundos específicos: o Revolution e o Texas I FIA. Segundo a PGE, as perdas decorrem de uma gestão temerária e, em certos casos, suspeita de manipulação de mercado que comprometeu severamente o patrimônio público.
A estratégia por trás do prejuízo
No caso do fundo Texas I FIA, a Procuradoria aponta uma “compra coordenada” de ações da empresa Ambipar. A acusação detalha que, entre julho e agosto de 2024, a gestora Trustee DTVM — investigada na Operação “Carbono Oculto” — teria inflado artificialmente o preço dos papéis. O Rioprevidência teria sido induzido a investir em um fundo lastreado por ativos sem fundamento, que chegou a desrespeitar normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mantendo um índice de ações muito abaixo do patamar obrigatório.
Já em relação ao fundo Revolution, a PGE alega que a administradora Acura tomou decisões prejudiciais aos cotistas, como a renúncia a direitos de voto e o prolongamento do prazo de amortização do investimento em quatro anos, sem que houvesse contrapartida vantajosa para os investidores.
Pedidos de bloqueio judicial
Para garantir o ressarcimento dos cofres públicos, a PGE-RJ solicitou medidas cautelares rigorosas contra os envolvidos. Os pedidos incluem o bloqueio de ativos via Sisbajud e a indisponibilidade de bens diversos, como imóveis, veículos, aeronaves, embarcações e até criptomoedas. No total, a Procuradoria busca o bloqueio de R$ 616,6 milhões, montante que engloba as perdas diretas contabilizadas nos dois fundos sob suspeita.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.

