Bloqueio diplomático gera revolta
A postura dos Estados Unidos na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) tornou-se o centro de uma crise diplomática. Representantes da sociedade civil e de povos tradicionais denunciaram que o governo norte-americano tem bloqueado sistematicamente a inclusão de pautas sociais, incluindo questões fundamentais de gênero, nas negociações oficiais do evento.
Pauta de gênero sob ataque
Beth Roberts, articuladora de gênero na conferência, revelou que os EUA exigiram a remoção do termo ‘gênero’ de qualquer debate, tratando a igualdade de direitos como um tópico inegociável. Segundo ativistas, a retórica imposta por Washington reflete uma agenda ideológica que busca silenciar discussões sobre representatividade e justiça social, sob o pretexto de nacionalismo.
O peso do consenso e a resistência
O sistema de tomada de decisões da COP, que exige consenso absoluto, tem sido usado como ferramenta de obstrução pelos EUA. No entanto, lideranças indígenas, como Jennifer Tauli Corpuz, argumentam que o consenso não pode ser confundido com o direito de veto absoluto que sacrifica o bem comum. Para a ativista, o foco da conferência deveria ser o combate à fome e aos efeitos climáticos, e não jogos de poder político.
Brasil na linha de frente
Em contraponto à postura americana, o Brasil, ao lado da União Europeia, tem se posicionado a favor da inclusão da sociedade civil. O ministro do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, criticou duramente a tentativa de excluir grupos sociais das decisões formais, destacando que é urgente reverter essa tendência nos dias finais do evento para garantir que aqueles mais impactados pela degradação ambiental tenham voz nas resoluções globais.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

