A democracia brasileira ganha novos contornos com o protagonismo das comunidades quilombolas. Em 2026, o número de eleitores que se identificam com essas populações tradicionais dobrou em todo o país, saltando de cerca de 95 mil para mais de 188 mil, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Esse movimento é impulsionado por uma nova geração que entende o voto como a principal ferramenta de proteção aos seus territórios e modos de vida.
Um compromisso entre gerações
Exemplo dessa mudança é o agricultor Joaquim Moreira, de 87 anos, da comunidade quilombola de Antinha de Baixo, em Goiás. No próximo dia 4 de outubro, ele não estará sozinho na seção eleitoral; irá acompanhado da neta, a estudante Thauany Silva, de 16 anos. Para ela, o primeiro voto é um rito de passagem carregado de responsabilidade. “Quando a gente vota, estamos cuidando do futuro de todos nós”, reflete a jovem.
Voto como defesa do território
O engajamento político quilombola não é apenas um exercício de cidadania, mas uma estratégia de sobrevivência. Em comunidades como Rio dos Macacos, na Bahia, a consciência de que “até o ar que se respira passa pela política” é o motor que leva os jovens a ocuparem espaços de discussão. Franciele Silva, estudante de Direito, destaca que a educação e o acesso à informação têm sido fundamentais para que as novas gerações defendam seus direitos de forma mais técnica e articulada.
Visibilidade e luta contra a ameaça
Segundo Bia Nunes, pesquisadora da Conaq, o salto no número de eleitores reflete um trabalho contínuo de conscientização sobre o papel dos quilombolas como guardiões da biodiversidade. No entanto, o cenário ainda exige atenção. O ativismo em territórios quilombolas enfrenta, por vezes, episódios de violência, o que torna a participação política e o apoio institucional ainda mais cruciais para a segurança dessas lideranças.
Conscientização financeira e política
Para o educador financeiro Rafael Costa, da comunidade Mesquita (GO), a politização está diretamente ligada ao fortalecimento da autonomia comunitária. Ao combater a desinformação e entender a importância das políticas públicas, os quilombolas se protegem de vulnerabilidades externas e consolidam sua força coletiva. O crescimento desse eleitorado sinaliza que o Brasil assiste ao despertar de uma base social cada vez mais atenta à preservação de suas raízes por meio da urna.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

