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Ensino integral é divisor de águas para estudantes brasileiros mais vulneráveis, aponta Ideb

Brasil e Mundo

Uma análise detalhada dos resultados do Ideb 2025 revelou um dado transformador: entre as 100 escolas de ensino médio com os melhores desempenhos acadêmicos, mesmo em regiões de maior vulnerabilidade social, 77 operam em tempo integral. O estudo, conduzido pelos institutos Sonho Grande e Natura, comprova que a jornada estendida atua como uma ferramenta poderosa de equidade social.

Mais aprendizado, menos desigualdade

O levantamento aponta que o impacto do ensino integral é desproporcionalmente maior para os alunos que mais precisam. Nas escolas de nível socioeconômico mais baixo, o formato de tempo integral garante uma performance 15% superior em relação às escolas de ensino parcial. Esse salto de qualidade permite que estudantes recuperem defasagens acumuladas desde o ensino fundamental, oferecendo, na prática, um ganho de aprendizagem equivalente a mais de quatro anos de estudo em disciplinas como matemática.

O segredo por trás dos resultados

Mais do que apenas aumentar as horas de permanência na escola, o sucesso do modelo reside na gestão pedagógica. O tempo extra é estrategicamente utilizado para o suporte socioemocional, a construção de um projeto de vida para o jovem e a tutoria individualizada. Para Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura, o ensino integral permite o equilíbrio necessário entre avançar na grade curricular e reforçar conteúdos pendentes, algo inviável na carga horária reduzida do modelo tradicional.

Um escudo contra a exclusão

O estudo também destaca o papel do ensino integral no combate ao racismo educacional. Escolas com maioria de alunos pretos, pardos e indígenas (PPI) que adotaram o regime integral apresentam notas significativamente superiores, consolidando a política pública como uma das mais eficazes para reduzir o abismo educacional brasileiro. Para especialistas, o modelo prova que, quando a educação em tempo integral se torna prioridade de Estado, a qualidade do ensino deixa de ser um privilégio condicionado à renda familiar.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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