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Cinquenta anos após atentado à ABI, documentos revelam estratégia de intimidação na ditadura

Brasil e Mundo

Há exatamente cinco décadas, o coração da imprensa brasileira era alvo de um ataque violento que buscava silenciar o pensamento crítico no país. Em 19 de agosto de 1976, uma bomba explodiu no sétimo andar da sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro. O episódio, que agora completa 50 anos, é o foco de uma nova publicação especial da entidade, que resgata documentos confidenciais para documentar o período de terror imposto por grupos radicais.

Memória e vigilância política

O ataque, que destruiu salas e elevadores, mas não deixou feridos, foi assumido pela Aliança Anticomunista Brasileira (AAB). A nova edição do Boletim da ABI utiliza informes sigilosos do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) para demonstrar como o aparato de vigilância do regime monitorava de perto cada passo da instituição. Esses documentos, recuperados pelo projeto Memórias Reveladas, evidenciam a magnitude da espionagem estatal contra jornalistas e intelectuais da época.

Um cenário de ataques em cadeia

A publicação destaca que o atentado à ABI não foi um caso isolado. O contexto de 1976 era de intensa instabilidade, com grupos de extrema-direita tentando sabotar o processo de abertura política, o chamado projeto de distensão do governo Geisel. Na mesma data do ataque à ABI, a sede da OAB no Rio também foi alvo de um artefato explosivo que falhou. Outros atentados, incluindo ataques a auditorias militares e ao Cebrap, em São Paulo, compuseram uma onda de violência que, curiosamente, nunca teve seus responsáveis punidos pelas autoridades de inteligência do regime.

Ato de resistência

Para o atual presidente da ABI, Octávio Costa, relembrar esses fatos é um dever de preservação da democracia. A entidade reforça seu compromisso com a liberdade de expressão e a vigilância constante contra o autoritarismo. No dia 19 de agosto, às 17h, um ato solene no prédio-sede marcará o aniversário do atentado com o descerramento de uma placa em repúdio ao terrorismo e em defesa das instituições democráticas.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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