O incêndio que consome o lixão de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, colocou em evidência um problema antigo: a gestão precária dos resíduos sólidos no município. Mesmo antes das chamas tomarem conta do local na última quinta-feira (13), a área já acumulava um longo histórico de irregularidades ambientais e multas milionárias.
Multa milionária e reincidência
Diante da gravidade da situação, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou uma nova multa de R$ 2,505 milhões à Prefeitura de Iranduba na última sexta-feira (14). A sanção foi motivada pela queima de resíduos a céu aberto, prática que é terminantemente proibida pela legislação ambiental vigente.
Três anos de alertas ignorados
O problema não é recente. O Ipaam monitora o local há pelo menos três anos devido à destinação incorreta dos detritos. Em 2023, a Prefeitura foi notificada para iniciar a recuperação da área, mas não cumpriu as determinações. Como consequência, o município já havia sido multado em R$ 500 mil em 2024 e, posteriormente, em R$ 1,5 milhão em 2026, por reincidência.
Riscos ambientais e estruturais
Vistorias técnicas realizadas pelo órgão revelaram um cenário alarmante: resíduos depositados diretamente sobre o solo, ausência de sistemas de drenagem, acúmulo de chorume e pilhas de lixo que ultrapassavam quatro metros de altura. O caso agora também está sob a tutela da Justiça Federal, que exige do município a comprovação imediata das medidas de recuperação e licenciamento. Enquanto o combate às chamas mobiliza bombeiros, a população de Iranduba sofre com a fumaça e a insegurança sanitária causadas pelo descaso na gestão de resíduos.
Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução.

