O fim da era da fiscalização isolada
O Ministério Público Federal (MPF) deu um passo decisivo para tentar frear o avanço devastador do garimpo ilegal no Amazonas. Em uma nova ação civil pública, o órgão solicita que a Justiça obrigue o poder público — unindo forças federais e estaduais — a criar uma estrutura de combate permanente. O objetivo é acabar com as operações pontuais, que se mostram ineficazes, e estabelecer uma estratégia contínua de monitoramento em rios, terras indígenas e unidades de conservação.
Um ciclo de destruição que precisa parar
A denúncia do MPF é clara: o garimpo retorna aos mesmos locais poucos meses após o fim das operações de fiscalização. O procurador da República André Porreca destaca que a falta de integração é o grande trunfo dos criminosos. Sem um planejamento conjunto e uma presença constante do Estado, o mercúrio continua a contaminar a base alimentar das populações ribeirinhas e indígenas, enquanto a violência de grupos organizados domina áreas que deveriam estar protegidas.
O que a ação exige
A proposta do MPF inclui medidas urgentes para transformar o cenário de degradação atual:
- Criação de uma coordenação integrada e permanente entre União e Estado;
- Calendário fixo de operações de fiscalização;
- Instalação de bases de vigilância em pontos críticos, como o Vale do Javari e os rios Madeira, Japurá, Puruê e Abacaxis;
- Reforço imediato de pessoal e equipamentos, suprindo as graves carências apontadas pelo Ibama, ICMBio e órgãos estaduais como o Ipaam.
Crise de saúde e segurança
A contaminação por mercúrio já é uma realidade alarmante no Amazonas. Estudos da Fiocruz revelam que mais de 20% das amostras de peixes analisadas na região possuem níveis tóxicos acima do permitido. Em comunidades Yanomami, o índice de contaminação entre mulheres e crianças chega a 56%. Além do dano ambiental e à saúde, o MPF alerta que o garimpo ilegal tem servido de braço para o narcotráfico e o crime organizado, criando um ambiente de constantes ameaças a lideranças indígenas e agentes públicos.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.
Foto da capa: Reprodução / G1 Amazonas.

