Em um planeta que bate recordes sucessivos de calor, o ar-condicionado deixou de ser um artigo de luxo para se tornar uma necessidade vital. Com a Europa enfrentando verões sem precedentes e a demanda global por eletricidade disparando, o Polo Industrial de Manaus (PIM) assume um papel estratégico na economia e na transição energética do país. Em 2025, o PIM produziu cerca de 6,7 milhões de unidades, movimentando bilhões e colocando o Amazonas no centro de uma corrida tecnológica global.
O peso da climatização na rede elétrica
A Agência Internacional de Energia alerta: o consumo de eletricidade para refrigeração cresceu 50% desde 2015. Em horários de pico, o ar-condicionado chega a representar 30% de toda a demanda elétrica. Para o Brasil, o desafio é claro: a climatização pode consumir até 17,9% da energia residencial até 2036. O problema não é apenas fabricar o aparelho, mas garantir que ele não sobrecarregue o sistema elétrico durante as ondas de calor extremo.
Eficiência como nova moeda
Produzir mais não é mais o único objetivo. Com as metas da Emenda de Kigali para reduzir gases poluentes e a pressão por aparelhos mais econômicos, a indústria amazonense está sob vigilância. Tecnologias como compressores ‘inverter’ e sistemas inteligentes de controle tornaram-se o padrão. A concorrência internacional, liderada pela China, já utiliza inteligência artificial e levitação magnética para reduzir o atrito e o consumo de energia, forçando o PIM a elevar o nível de sua engenharia.
Novos investimentos e o futuro no PIM
Para mitigar a vulnerabilidade logística, o setor busca fortalecer a cadeia local de componentes. A chegada de novos investimentos, como a futura fábrica de compressores da Tecumseh em Manaus, sinaliza uma tentativa de aproximar o desenvolvimento tecnológico das montadoras locais. Além da fabricação, o setor de manutenção e instalação cresce rapidamente, abrindo espaço para serviços especializados em gestão energética e monitoramento remoto.
Um mercado em transformação
O relatório global Cooling Watch 2025 projeta que a demanda por refrigeração triplicará até 2050. Para o Polo Industrial de Manaus, o futuro depende da capacidade de integrar inovação, componentes nacionais de alta performance e sustentabilidade. Refrigerar o mundo com menos energia é o desafio que definirá a relevância da indústria amazonense na próxima década.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.
Foto da capa: Reprodução / G1 Amazonas.

