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Sete anos após tragédia no Compaj, crise de superlotação segue assombrando presídios do Amazonas

Amazonas

Mesmo após sete anos do massacre que chocou o Brasil e tirou a vida de 56 detentos, o sistema prisional do Amazonas permanece sob forte pressão. Um levantamento recente do Ministério Público do Amazonas (MPAM) revela um cenário crítico: 42 das 62 unidades prisionais e delegacias vistoriadas no interior do estado operam acima de sua capacidade máxima, evidenciando que o déficit estrutural e a superlotação continuam sendo a regra, não a exceção.

Dor que não cicatriza

Para famílias de vítimas, como a da cozinheira Deusanete de Oliveira, o tempo não foi suficiente para apagar as marcas da violência. Seu filho, Rodrigo, aguardava a liberdade condicional quando foi morto na tragédia. Histórias como a dele ilustram a falha na custódia do Estado, que, segundo especialistas, permitiu que uma disputa entre facções criminosas se tornasse um episódio sangrento anunciado.

O drama do interior

A crise não se limita à capital. O diagnóstico do MPAM aponta que o interior do estado também sofre com celas insalubres, projetadas para grupos pequenos, mas que hoje abrigam quase o triplo da sua capacidade. A falta de ventilação e as condições de higiene precárias agravam o sofrimento no intenso verão amazônico.

Dados alarmantes e o gargalo judicial

Atualmente, o sistema prisional do Amazonas mantém cerca de 8.581 pessoas custodiadas. Destas, milhares ainda aguardam julgamento. O cenário se torna ainda mais complexo quando analisado em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que aponta a existência de 8.716 mandados de prisão em aberto — um número que supera a atual população carcerária do estado.

Desafios na segurança e na estrutura

Especialistas em segurança e representantes dos policiais penais alertam que a falta de investimento em infraestrutura e o sucateamento de equipamentos dificultam o controle das unidades. Enquanto a Polícia Penal luta por melhores condições de trabalho e reconhecimento, a ausência de um fortalecimento estatal abre espaço para que organizações criminosas continuem exercendo influência dentro dos muros.

Em resposta à reportagem, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) afirmou, por meio de nota, que segue buscando soluções conjuntas com os órgãos de controle e o Poder Judiciário para mitigar os impactos da crise no sistema.


Informações baseadas no portal G1 Amazonas.
Foto da capa: Reprodução / G1 Amazonas.

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