Amazonas em alerta máximo: estado é o segundo do país com maior risco para crianças
O Amazonas ocupa a preocupante segunda posição no ranking nacional de vulnerabilidade ambiental e climática para crianças e adolescentes. O dado faz parte do “Painel Crianças e Meio Ambiente”, um levantamento inédito realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em parceria com a Vital Strategies. O estudo coloca o estado em um patamar de emergência máxima, ficando atrás apenas do Pará.
A pesquisa detalha um cenário de sobreposição de crises: 42,4% dos municípios amazonenses apresentam indicadores críticos em pelo menos dez áreas avaliadas. O estudo considera a exposição direta dos pequenos a secas severas, ondas de calor, poluição por queimadas e a histórica falta de saneamento básico.
O drama no interior: isolamento e doenças
Para as crianças que vivem no interior do Amazonas, a crise climática não é uma previsão, mas uma realidade cotidiana. A oscilação extrema nos níveis dos rios — como o Negro, Solimões e Juruá — tem paralisado o transporte escolar e dificultado o acesso a água potável e a serviços básicos de saúde. Esse isolamento, somado à fumaça das queimadas que frequentemente encobre as comunidades, tem disparado o número de internações pediátricas por problemas respiratórios.
Além disso, o déficit estrutural em saneamento básico coloca a população infantil em risco constante de contrair doenças de veiculação hídrica, agravando ainda mais o quadro de vulnerabilidade social.
Manaus: o desafio da densidade urbana
Embora o interior sofra com a carência de infraestrutura, Manaus concentra o maior número absoluto de jovens em situação de risco no estado. Segundo o levantamento, quase um terço da população da capital (31,8%) tem até 17 anos e vive sob alto nível de alerta ambiental.
A capital enfrenta desafios específicos, como o surgimento de “ilhas de calor” em escolas que carecem de arborização, a poluição atmosférica persistente durante o período de estiagem e a ocupação de áreas de risco. Enchentes e alagamentos, comuns na periferia e nas margens de igarapés, expõem as crianças a perigos imediatos e ao contato com água contaminada.
O que diz o ranking da Unicef
O estudo utiliza uma escala de três níveis para medir a urgência de intervenção. O Amazonas concentra uma parcela significativa de municípios no Nível 3, que exige ações imediatas e priorizadas. O Nível 2 indica cidades que precisam de planejamento de médio prazo, enquanto o Nível 1 exige apenas monitoramento.
Com o Acre ocupando a terceira colocação nacional, a Região Norte domina as estatísticas negativas, evidenciando que a combinação entre crises ambientais e falta de serviços públicos essenciais está impedindo o desenvolvimento saudável de uma geração inteira de amazonenses.
Medidas urgentes
Diante do cenário, a Unicef reforça a necessidade de políticas públicas focadas na adaptação climática. O órgão defende investimentos urgentes em saneamento resiliente, a implementação de projetos de arborização em creches e escolas e o fortalecimento da proteção social para as famílias que, a cada ano, perdem sua renda e estabilidade devido aos eventos extremos do clima no estado.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.
Foto da capa: Reprodução / G1 Amazonas

