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Escritora Nathacha Appanah é um dos destaques internacionais da Flip

Brasil e Mundo Cultura

Diversidade e literatura na 24ª Flip

A 24ª edição da Festa Literária de Paraty (Flip) reafirma seu compromisso com a pluralidade cultural ao reunir vozes de diversas trajetórias globais. Entre os destaques internacionais deste ano, a escritora franco-mauriciana Nathacha Appanah ocupou o palco principal nesta sexta-feira (24), trazendo ao debate temas urgentes sobre violência doméstica e a construção de memórias.

O peso do silêncio e da violência

A obra mais recente de Appanah, Noite no Coração (Bazar do Tempo), é uma investigação contundente sobre as violências íntimas e sociais. Publicado em mais de 15 países, o livro articula ficção, relato e reflexão ao narrar os destinos de três mulheres — uma delas inspirada na própria autora, enquanto as outras duas foram vítimas de feminicídio. Segundo a escritora, o objetivo literário foi romper o silêncio, contraindo o tempo para que essas existências, que nunca se cruzaram na realidade, pudessem coexistir em uma mesma narrativa.

Identidade, migração e as línguas do coração

Com uma trajetória marcada pelo deslocamento — nascida nas Ilhas Maurício, de família com raízes indianas e radicada na França —, Appanah descreve sua formação como um mosaico cultural. A autora ressalta que o convívio com gerações distintas, desde os avós, que viveram a era colonial em plantações de cana-de-açúcar, até os pais, integrados a uma modernidade voltada ao exterior, moldou sua visão de mundo e sua escrita. Para ela, a coexistência de múltiplas línguas — a do coração, a da intimidade e a acadêmica — foi fundamental para entender a pluralidade de sua própria existência.

Conexões entre Brasil e mundo

O painel também contou com a presença da escritora brasileira Bethânia Pires Amaro. Autora de Ressalga (Record), Amaro explora a violência de gênero através da trajetória de três gerações de mulheres na Bahia. Para abordar temas tão sensíveis, a escritora recorre ao realismo mágico como ferramenta narrativa. “O realismo mágico permite uma aproximação indireta e rica, que não reduz essas mulheres apenas à violência, mas as apresenta como seres que também estão florescendo”, pontua a autora.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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