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Biomédica e dentista têm atividades suspensas após investigação sobre cirurgias íntimas em clínicas de Manaus

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Uma decisão da Justiça do Amazonas determinou a suspensão imediata das atividades profissionais de uma biomédica e de uma cirurgiã-dentista que atuavam em Manaus. As profissionais são investigadas pela Polícia Civil por realizarem cirurgias íntimas e outros procedimentos estéticos invasivos sem possuírem a formação médica necessária para tais intervenções.

Entenda o caso

A medida é um desdobramento da operação policial que mirou as unidades da rede EstetiClin, situadas nos bairros Adrianópolis, Zona Centro-Sul, e em um ponto na Zona Leste da capital. Com a determinação judicial, as envolvidas estão proibidas de exercer a profissão e de realizar qualquer tipo de divulgação ou propaganda de seus serviços enquanto as investigações estiverem em curso.

De acordo com o delegado Jorge Arcanjo, titular do 4º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o alerta surgiu há quatro meses, após uma paciente sofrer graves complicações de saúde. A vítima, que realizou uma ninfoplastia, precisou buscar auxílio especializado no Hospital da Mulher para tratar infecções decorrentes da cirurgia, o que motivou a denúncia formal às autoridades.

Riscos e irregularidades

As investigações apontam que as clínicas anunciavam procedimentos como “cirurgias a laser, sem cortes”, tentando mascarar o ato como algo estético e simplificado. Contudo, o delegado esclareceu que o equipamento utilizado — um laser de CO₂ — é capaz de realizar incisões profundas, configurando um ato cirúrgico.

Além da falta de habilitação médica, a polícia constatou que as cirurgias eram feitas sem qualquer equipe de apoio ou suporte hospitalar, em salas consideradas inadequadas para esse nível de intervenção. Durante a operação, diversos equipamentos, eletrônicos e prontuários foram apreendidos para perícia.

Alerta dos especialistas

O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) reforçou o perigo dessas práticas. Segundo a conselheira Shirllane Rodrigues, a ausência de formação médica impede o profissional de prever ou socorrer o paciente em casos de intercorrências graves.

“Os riscos são gravíssimos. Estamos falando desde infecções e deformidades permanentes até o risco real de morte. Qualquer procedimento cirúrgico, mesmo que com fins estéticos, é um ato médico e exige o preparo de um especialista habilitado”, enfatizou.

Posicionamento da clínica

Em nota, a rede EstetiClin Muniz confirmou a suspensão temporária de suas atividades devido à fiscalização. A empresa afirmou estar colaborando com a Polícia Civil para o esclarecimento dos fatos. Quanto aos clientes, a clínica garantiu que nenhum paciente será prejudicado e que, assim que os canais de atendimento forem restabelecidos, orientações sobre reembolsos ou remarcações de procedimentos serão divulgadas.


Informações baseadas no portal G1 Amazonas.
Foto da capa: Reprodução / G1 Amazonas

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