Operação de emergência entra no quarto dia
Mais de 86 horas após o início do grave vazamento de monômero de estireno na fábrica da Innova, localizada no Distrito Industrial de Manaus, as equipes do Corpo de Bombeiros do Amazonas mantêm o trabalho ininterrupto de resfriamento do tanque. O incidente, que teve início às 17h36 da última quarta-feira (15), forçou o isolamento de um perímetro de 300 metros ao redor da unidade.
Para monitorar a situação, os bombeiros utilizam equipamentos de precisão a laser para acompanhar a temperatura interna do reservatório, enquanto realizam o resfriamento externo e o processo de sucção do gás. A suspeita principal da corporação é de que uma reação química espontânea tenha provocado a elevação anormal da temperatura na estrutura.
Drone identifica fissura e empresa recebe multas milionárias
O cenário é crítico. A Prefeitura de Manaus utilizou drones com câmeras térmicas que detectaram uma fissura na bacia de contenção, confirmando que o vazamento persiste. Diante da gravidade, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) interditou parcialmente as atividades da fábrica.
O impacto financeiro para a empresa também é severo. A Innova foi multada em um valor total que supera R$ 22,4 milhões. A Prefeitura aplicou sanções de cerca de R$ 9,9 milhões por danos ao solo, ar e recursos hídricos, enquanto o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) impôs uma multa de R$ 12,5 milhões por infração ambiental relacionada à poluição atmosférica.
Centenas de atendimentos e riscos à saúde
O impacto direto na população manauara preocupa as autoridades de saúde. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), mais de 200 pessoas já buscaram atendimento médico devido à exposição aos gases. Relatos de moradores e trabalhadores do Distrito Industrial descrevem sintomas claros de intoxicação: náuseas, dor de cabeça, irritação ocular severa, falta de ar e diarreia.
Especialistas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) alertam para a periculosidade do monômero de estireno. A substância evapora rapidamente ao entrar em contato com o ar e pode se espalhar por longas distâncias. Além disso, existe o risco de o produto reagir com a umidade da chuva, gerando novos compostos nocivos que podem contaminar ainda mais o solo e a rede de drenagem da região.
Produção mantida após o incidente
Uma informação que gerou repercussão foi a revelação da superintendência do Ministério do Trabalho e Emprego no Amazonas. O órgão confirmou que a Innova manteve a linha de produção funcionando por, pelo menos, 48 horas após o início do vazamento. A justificativa da empresa foi de que o processo era necessário para acelerar o esvaziamento do tanque danificado, minimizando os riscos do material estocado.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.

