Manaus vive o terceiro dia de apreensão após o vazamento de estireno — um composto químico altamente tóxico e inflamável — na fábrica da empresa Innova, localizada no Distrito Industrial. Mesmo após 41 horas de trabalho intensivo, as equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mantêm, nesta sexta-feira (17), o monitoramento e o resfriamento dos tanques para evitar uma nova elevação de temperatura e possíveis explosões.
Impacto na saúde pública
O incidente mobilizou a rede de saúde do Amazonas. Até a manhã desta sexta-feira, 204 pessoas foram atendidas em unidades hospitalares com sintomas de intoxicação, como falta de ar, náuseas, cefaleia e desmaios. Destes, 192 pacientes já receberam alta, enquanto 11 permanecem internados. Um homem de 67 anos faleceu após buscar atendimento, mas a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou que ele possuía histórico de doenças respiratórias crônicas e não há confirmação, até o momento, de relação direta entre o óbito e a inalação do produto químico.
Riscos controlados, mas área isolada
Embora a liberação de vapores tenha diminuído consideravelmente, os bombeiros explicam que cerca de 80% do que sai do tanque atualmente é vapor de água, indicando que o processo de resfriamento está sendo eficaz. Equipamentos a laser monitoram a temperatura interna para garantir que o estireno não sofra uma nova reação em cadeia. Por precaução, o raio de 300 metros ao redor da fábrica segue isolado e a retomada das atividades de empresas vizinhas depende de uma nova avaliação de segurança das autoridades.
Aulas suspensas e medidas preventivas
Como medida de segurança, as secretarias de educação do Estado (Seduc) e do Município (Semed) suspenderam as aulas em 22 escolas localizadas nas proximidades do Distrito Industrial, especialmente nos bairros Mauazinho, Crespo e Parque Jardim Mauá. O retorno das atividades escolares só ocorrerá mediante a garantia de ar puro na região. Enquanto isso, a Defesa Civil orienta que a população mantenha ambientes bem ventilados, com portas e janelas abertas, e evite o uso de aparelhos de ar-condicionado que façam a captação de ar externo.
Multa milionária e investigação
A Prefeitura de Manaus aplicou uma multa de R$ 4,5 milhões à Innova, após uma força-tarefa identificar que os níveis de poluição atmosférica excediam os limites seguros. A empresa agora tem um prazo de 20 dias para apresentar relatórios técnicos detalhados e planos de contingência. A Polícia Civil do Amazonas, com apoio da perícia técnica, aguarda a estabilização total da área para iniciar as investigações sobre as causas do incidente. A hipótese principal aponta para uma reação química espontânea dentro do reservatório, que forçou a abertura das válvulas de segurança e o consequente vazamento.
O que diz a empresa
Em nota oficial, a Innova afirmou que a ocorrência foi contida dentro dos protocolos de emergência, negando a existência de incêndio ou vazamento de líquido para fora da área de contenção. A companhia declarou que segue à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e que não há risco de desabastecimento de produtos para seus clientes.
A orientação das autoridades de saúde permanece clara: qualquer cidadão que apresentar mal-estar, confusão mental ou irritação persistente nas vias aéreas deve procurar imediatamente uma unidade de pronto atendimento ou ligar para o Samu (192).

